Desfragmentação SSD: o que é e quando fazer?

Entenda por que desfragmentar um SSD é desnecessário e até prejudicial e aprenda a otimizar o desempenho desse tipo de disco.

Nos últimos anos, o SSD se tornou o dispositivo de armazenamento padrão para quem joga e para quem quer um computador rápido: ele é menor, muito mais rápido e ficou bem mais confiável com o passar do tempo.

E se um dia o seu SSD falhar com arquivos importantes, a recuperação de SSD da Bot começa com um diagnóstico grátis.

Mas você precisa desfragmentá-los?

É essa pergunta que vamos responder hoje. Também vamos explicar o que acontece de fato quando você desfragmenta um SSD e se é preciso desfragmentá-lo antes de instalar o Windows 11.

No final, você ainda vai conhecer 4 métodos para otimizar o seu SSD e mantê-lo sempre com bom desempenho.

Vamos lá?

O que é desfragmentar um SSD?

A “fragmentação” é algo que acontece com os HDs como resultado natural da gravação de dados no disco.

Quando você formata uma unidade, o espaço de armazenamento é organizado por um sistema de arquivos, uma espécie de mapa que permite ao computador saber exatamente onde cada informação está gravada.

Em um HD novo ou formatado recentemente, os novos dados são gravados em uma sequência ininterrupta.

Mas, quando você exclui um arquivo, fica um espaço vazio nessa sequência, e o sistema marca esse espaço como disponível para receber novos dados.

O problema é que seus novos dados provavelmente não vão se encaixar perfeitamente nesse espaço.

Assim, o sistema operacional preenche esse espaço com a primeira parte do arquivo que está gravando e depois procura o próximo espaço livre, espalhando pedaços do arquivo por toda a superfície do HD.

Como você pode imaginar, isso torna mais lenta a leitura de um arquivo completo ou de um conjunto de arquivos relacionados, já que as cabeças de leitura precisam pular de um ponto do disco para outro. O resultado costuma ser perda de desempenho.

Quando você desfragmenta o HD, o computador reorganiza os dados para que cada arquivo fique em sequência, usando o espaço livre da unidade como área de trabalho.

Esse processo só faz sentido em HDs, que têm peças mecânicas móveis. Nos SSDs, que gravam os dados eletronicamente, é um processo longo e pesado que só serve para desgastar a unidade e reduzir sua vida útil.

O que acontece quando você desfragmenta um SSD?

Depende do sistema ou do programa que você usa. Pode acontecer uma de duas coisas: aparece um aviso de que isso não deve ser feito (o Windows atual, por exemplo, reconhece o SSD e, em vez de desfragmentar, apenas envia o comando TRIM), ou a desfragmentação é feita de fato, sem nenhum ganho real, apenas desgastando a unidade.

Vamos supor que seja o segundo caso, já que o primeiro não muda nada:

  1. Os blocos dos arquivos são “movidos” para endereços próximos no sistema de arquivos. Porém, o controlador do SSD continua a distribuí-los fisicamente por posições aparentemente aleatórias da memória, um recurso chamado nivelamento de desgaste. Por isso, mesmo que o sistema de arquivos passe a mostrar o arquivo em blocos vizinhos, eles não ficam fisicamente perto uns dos outros.
  2. Cada vez que um bloco é “movido”, na verdade ele é copiado para outra posição e o original é descartado. Ou seja, cada movimento gera uma nova gravação, e a posição antiga ainda terá de ser apagada mais tarde. Os SSDs não conseguem gravar diretamente sobre células já usadas: primeiro precisam apagá-las, e é o comando TRIM que informa ao SSD quais blocos deixaram de estar em uso. Como a desfragmentação segue a sua própria lógica, muitas vezes é preciso mover o mesmo bloco várias vezes, como quem tenta montar um quebra-cabeça seguindo um padrão e descobre que, por causa dele, outra peça deixou de encaixar. Por isso, uma desfragmentação costuma mover vários blocos dezenas ou até centenas de vezes, dependendo de quão cheia a unidade está e de como o programa escolhe reorganizar os dados.

Devo desfragmentar o meu SSD?

Todo o problema da fragmentação vem do fato de o dispositivo de armazenamento usar peças móveis para chegar aos dados.

Como os SSDs não têm partes móveis (daí o nome “estado sólido”), não existe tempo de busca nem latência rotacional.

Os SSDs acessam a memória flash (NAND) em velocidades muito maiores, normalmente em menos de 50 µs (50 microssegundos, ou 0,05 ms). Comparado a um HD típico, com tempo médio de acesso de 15 ms, isso é cerca de 300 vezes mais rápido.

Além disso, como vimos, desfragmentar o SSD não deixa nada diferente do que era no início e ainda desgasta a unidade mais rápido do que o uso normal.

Também não acelera o SSD, porque ele não fica mais lento quando um arquivo está espalhado por várias posições diferentes. Portanto, desfragmentar não faria com que ele funcionasse mais rápido.

A única razão que poderia justificar a desfragmentação de um SSD é reduzir o tamanho de uma partição, mas a maioria das ferramentas de gerenciamento de partições já move os arquivos sozinha, de modo que você não precisa desfragmentar.

Ou seja, elas fazem a “movimentação” de forma que o sistema de arquivos passe a “considerar” que o arquivo está mais perto do início da partição, e não do fim.

Não desfragmente se o SSD for novo

Os SSDs novos são estáveis e têm bom desempenho e confiabilidade, mas se desgastam com o tempo, à medida que as células de memória se deterioram com as gravações.

Isso não atrapalha o uso diário, já que esse desgaste só se torna relevante depois de muito tempo.

Não é algo que aconteça depressa: um Samsung 850 EVO de 500 GB, por exemplo, tem classificação de 150 TB de gravações totais (TBW), o equivalente a gravar cada bloco da unidade cerca de 300 vezes.

Como um usuário típico grava em média menos de 20 GB por dia, seriam necessários mais de 20 anos para chegar aos 150 TB de gravações.

Já uma desfragmentação pode facilmente gravar centenas de GB de dados, o que desgasta o SSD muito mais rápido e encurta sua vida útil.

Evite desfragmentação frequente para aumentar a vida útil

Como vimos, a desfragmentação pode ler e regravar praticamente todos os dados e arquivos do SSD, o que prejudica a sua vida útil.

Por isso, se você quer prolongar a vida útil do SSD e manter o seu desempenho, não o desfragmente.

Devo desfragmentar o SSD antes de instalar o Windows 11?

Se o seu SSD é novo, a unidade não está fragmentada. E, mesmo que não seja, em vez de desfragmentá-lo, prefira otimizá-lo.

Otimização de SSD no Windows 11

A partir do Windows 7, o sistema envia o comando TRIM automaticamente, e no Windows 8, 10 e 11 a ferramenta “Desfragmentar e otimizar unidades” reconhece o SSD e só faz a otimização adequada. O Windows Vista e o XP não têm suporte nativo ao TRIM; nesses sistemas, é preciso usar o programa do fabricante do SSD para executá-lo.

Método 1: Recurso TRIM do SSD

O TRIM melhora o desempenho e a eficiência do SSD, porque avisa a unidade de quais blocos não estão mais sendo usados para que ela possa limpá-los com antecedência. Assim, o SSD mantém um bom desempenho ao longo de toda a vida útil.

Ele vem ativado por padrão. Mas, embora o TRIM mantenha o SSD rápido, ele também torna a recuperação de arquivos excluídos praticamente impossível, já que os blocos de dados são limpos pouco depois de você excluir um arquivo.

Por isso, há quem desative o TRIM para manter a possibilidade de recuperar arquivos excluídos. O preço é perder desempenho e aumentar o desgaste do SSD; para a maioria das pessoas, o melhor é deixar o TRIM ativo e manter um backup em dia.

Para saber se o TRIM está ativo, siga os passos abaixo:

  • Digite “cmd” no menu Iniciar
  • Clique com o botão direito em “Prompt de Comando” e selecione “Executar como administrador”
  • Digite o comando fsutil behavior query DisableDeleteNotify e pressione Enter
  • Se o resultado for “DisableDeleteNotify = 0”, o TRIM está ativo.

Se mesmo assim quiser desativar o TRIM no Windows 10 ou 11:

  • Pressione ao mesmo tempo as teclas Windows + X para abrir o menu de acesso rápido e selecione “Prompt de Comando (Admin)” ou “Terminal (Admin)”
  • Digite o comando fsutil behavior set DisableDeleteNotify 1 para desativar o TRIM (para voltar a ativá-lo, use o mesmo comando com 0 no final).

Método 2: Configure o controlador SATA no modo AHCI

Na maioria dos computadores, o controlador SATA já vem configurado no modo AHCI (Advanced Host Controller Interface), que funciona melhor com SSDs.

Se o seu SSD for SATA e o controlador estiver em modo IDE, configure-o como AHCI no BIOS/UEFI para tirar o máximo proveito do SSD. Atenção: mudar esse modo sem os passos abaixo pode impedir o Windows de iniciar.

Para isso, siga estes passos:

  • Pressione ao mesmo tempo as teclas Windows + R, digite “msconfig” e tecle Enter
  • Na aba “Inicialização do sistema”, marque “Inicialização segura”, aplique as alterações e reinicie o computador no modo de segurança
  • Durante a inicialização, pressione F2 ou Del para entrar nas configurações do BIOS e altere o modo SATA de IDE para AHCI (se não conseguir, desative o Fast Boot e tente novamente)
  • Salve as configurações, saia e deixe o computador reiniciar.
  • O Windows vai iniciar no modo de segurança. Abra novamente o “msconfig”, desmarque a opção “Inicialização segura” na aba “Inicialização do sistema” e reinicie o PC.

Método 3: Desative a indexação do disco

A indexação serve para acelerar a busca de arquivos e pastas no HD, mas, no SSD, você pode desativá-la para reduzir as gravações e preservar a unidade a longo prazo.

Para isso:

  • Abra “Este computador”, clique com o botão direito do mouse na unidade do SSD e selecione “Propriedades”
  • Na aba “Geral”, desmarque a opção “Permitir que os arquivos nesta unidade tenham o conteúdo indexado, além das propriedades do arquivo” e clique em “OK”.

Com isso, você desativa a indexação do disco.

Método 4: Ajuste o arquivo de paginação

Este método exige cuidado e só vale a pena se você souber o que está fazendo. Ajustar o arquivo de paginação pode reduzir as gravações no SSD, mas nunca o desative por completo, principalmente se o computador tiver pouca memória RAM.

Para ajustar o arquivo de paginação:

  • Clique com o botão direito em “Este computador” e selecione “Propriedades”
  • Selecione “Configurações avançadas do sistema” e, no quadro “Desempenho”, clique em “Configurações”; depois, na aba “Avançado”, em “Memória virtual”, clique em “Alterar”
  • Na janela que se abre, desmarque a opção “Gerenciar automaticamente o tamanho do arquivo de paginação de todas as unidades” e selecione a unidade C: na lista
  • Escolha “Tamanho personalizado” e defina o tamanho inicial e o tamanho máximo. Em seguida, clique em “Definir” e depois em “OK” para salvar as alterações.

Conclusão

Ao contrário dos HDs, os SSDs não precisam ser desfragmentados. O melhor é otimizar o desempenho, mantendo o TRIM ativo, configurando o controlador SATA no modo AHCI, desativando a indexação do disco e, com cuidado, ajustando o arquivo de paginação.

Lembre-se de que o TRIM torna muito difícil recuperar arquivos excluídos por engano no SSD. Por isso, a melhor proteção contra a perda de dados é manter um backup atualizado.

Se você perdeu arquivos no SSD, pare de usá-lo e não instale nada nele. Nós, da Bot, somos especialistas em recuperação de dados, com mais de duas décadas de experiência, e podemos avaliar a viabilidade da recuperação.

Além disso, quando é preciso abrir um dispositivo, trabalhamos em sala limpa WhiteRoom® Classe 100 (ISO 5), para proteger a integridade do seu equipamento.

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Sobre o autor
Filipe BragaGestor de laboratório · Laboratório Bot

Filipe Braga é engenheiro e gerencia o laboratório da Bot. Trabalha nos casos mais complexos de recuperação de dados, principalmente sistemas RAID e servidores, onde cada disco conta e a ordem dos passos faz diferença. No dia a dia, organiza o trabalho de bancada para que cada equipamento siga o procedimento certo. No blog, escreve sobre RAID e casos difíceis. Fora do laboratório, gosta de pedalar e de um bom vinho.

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