Quem trabalha com armazenamento e proteção de grandes volumes de dados provavelmente já ouviu falar em RAID.
Em RAID e NAS, um rebuild ou uma inicialização sem diagnóstico pode reduzir as hipóteses de recuperação. Antes de mexer, conheça a recuperação de RAID, com diagnóstico gratuito.
RAID – sigla que se pode traduzir por «conjunto redundante de discos independentes» – é uma técnica usada para melhorar o desempenho e a fiabilidade do armazenamento de dados. É especialmente importante quando a segurança dos dados é imprescindível.
Neste artigo, fica a saber o que é o RAID, para que serve e como se implementa. Acompanhe!
O que é RAID?
RAID é uma técnica de armazenamento que junta vários discos rígidos ou SSD para aumentar a velocidade de leitura e escrita e/ou a proteção dos dados. RAID é o acrónimo de Redundant Array of Independent Disks, que se pode traduzir por «conjunto redundante de discos independentes».
A técnica consiste em criar um subsistema de armazenamento com vários discos individuais, como se fossem peças de encaixar. O computador passa a ver o conjunto como uma única unidade de armazenamento: num RAID 0 com 2 discos de 2 TB, por exemplo, o sistema operativo vê um único disco de 4 TB. Noutros níveis, parte da capacidade fica reservada para redundância, como vamos ver mais à frente.
Esta técnica foi apresentada em 1988 por três investigadores da Universidade da Califórnia em Berkeley, no artigo «A Case for Redundant Arrays of Inexpensive Disks (RAID)». Mais tarde, a expressão passou de «inexpensive disks» para «independent disks», para se afastar da ideia de «discos baratos».
Para que serve o RAID?
O RAID serve para criar redundância, melhorar o desempenho ou ambas as coisas, consoante o nível. Redundância significa que a informação fica distribuída pelos discos do conjunto de forma a que, se um deles falhar, os dados continuam acessíveis a partir dos restantes e o sistema pode continuar a funcionar normalmente.
Se o RAID oferece mais segurança, melhor desempenho ou as duas coisas depende do nível utilizado. Vejamos com mais pormenor:
Maior segurança
A redundância do RAID traz mais segurança: mesmo que um dos discos falhe, os outros permitem manter os dados, seja porque guardam uma cópia (espelhamento), seja porque guardam informação de paridade que permite reconstruí-los.
Mas atenção: o RAID não substitui a cópia de segurança, que continua a ser a melhor forma de proteger os dados. O RAID não protege contra falhas que afetam vários discos ao mesmo tempo, como problemas elétricos, nem contra vírus, ransomware ou erros humanos, como apagar ficheiros. Os dados continuam sujeitos a perda total.
Melhor desempenho
O RAID também pode aumentar a velocidade de leitura e escrita, porque reparte o trabalho por vários discos, mas isso depende do nível utilizado, como veremos a seguir.
Outra vantagem é a disponibilidade: nos níveis com redundância, quando um disco rígido ou SSD falha, o sistema continua a funcionar enquanto o disco é substituído e o conjunto é reconstruído.
Quais são os tipos de RAID?
Vamos ver com mais pormenor como funciona o RAID e as diferentes técnicas que usa: distribuição, espelhamento e paridade.
RAID de distribuição
O RAID de distribuição (striping) reparte a escrita dos dados por vários discos. Neste método, os dados não se repetem entre discos: cada um guarda uma parte, o que permite ler e escrever em paralelo e processar os dados mais depressa.
Por isso, o foco do RAID de distribuição é a velocidade de leitura e escrita, que torna o computador mais rápido. Em contrapartida, perde em segurança e fiabilidade, porque a falha de um único disco ou SSD torna inacessíveis os dados de todo o conjunto.
Repare que o RAID de distribuição não tem redundância. Por isso, há quem não o considere verdadeiramente um RAID.
RAID de espelhamento
No RAID de espelhamento (mirroring), como o nome indica, os dados são espelhados nos vários discos do sistema, ou seja, guarda-se uma cópia idêntica em pelo menos mais um disco.
O objetivo principal é a redundância dos dados, que dá mais segurança aos ficheiros. Em contrapartida, a escrita não fica mais rápida, porque cada gravação se repete em todos os discos (a leitura pode melhorar). Além disso, o custo tende a ser mais alto, porque grande parte da capacidade fica dedicada às cópias.
RAID de paridade
O RAID de paridade calcula e grava dados adicionais (a paridade) juntamente com os dados originais. Em caso de falha de um disco rígido ou SSD, a paridade permite reconstruir os dados em falta sem perda de informação.
A paridade é diferente do espelhamento, que faz uma cópia completa dos dados noutro disco. Assim, o RAID de paridade equilibra segurança e desempenho e ocupa bem menos espaço do que cópias completas – em geral, o equivalente à capacidade de um ou dois discos do conjunto.
Quais são os níveis de RAID?
No artigo da Universidade da Califórnia que introduziu o termo RAID, os autores já apresentavam diferentes níveis de RAID. Cada nível corresponde a uma forma de organizar os discos e à técnica usada para obter redundância e/ou desempenho.
Hoje existem mais níveis, variantes e combinações, mas vamos apresentar os principais:
RAID 0
No RAID 0, também chamado striping, os dados são repartidos por todos os discos, de modo a que estes leiam e escrevam em simultâneo.
É, portanto, um RAID de distribuição: melhora o desempenho, mas compromete a segurança, porque não há cópias nem paridade. Por isso, muitos não consideram o RAID 0 um verdadeiro RAID.
O RAID 0 é usado sobretudo em aplicações que lidam com grandes volumes de dados e precisam de rapidez, como o tratamento de imagem e a edição de vídeo.
Vantagens
- Aumenta a velocidade de leitura e escrita;
- Aproveita toda a capacidade dos discos, o que reduz o custo por terabyte;
- É fácil de implementar.
Desvantagens
- Compromete a segurança dos dados: se um disco falhar, perde-se o acesso a todo o conjunto;
- Não tem espelhamento nem paridade.
Fonte: Dicas de Infra
RAID 1
O RAID 1 protege contra falhas físicas das unidades de armazenamento. Neste nível, os dados são copiados para um ou mais discos do sistema e qualquer alteração é feita em todos eles.
Usa, portanto, o espelhamento, que privilegia a segurança dos dados em detrimento da velocidade de escrita, porque cada gravação tem de ser feita em todos os discos.
O RAID 1 é dos mais usados, sobretudo em sistemas que não podem perder dados nem ficar indisponíveis. A sua função é manter a máquina a funcionar mesmo quando um disco falha.
Vantagens
- Protege os dados com cópias idênticas nos outros discos;
- Mantém a máquina disponível em caso de falha de um disco.
Desvantagens
- A capacidade útil é apenas metade da capacidade total (com dois discos);
- Aumenta o custo por terabyte de armazenamento;
- Pode reduzir a velocidade de escrita.
Fonte: Dicas de Infra
RAID 2
O RAID 2 caiu em desuso porque as suas funções de correção de erros foram incorporadas nos próprios discos atuais. É semelhante ao RAID 0, no sentido em que os dados são repartidos pelos discos, mas acrescenta códigos de deteção e correção de erros que dão proteção adicional em caso de falha.
Vantagens
- Oferece uma camada de proteção aos dados;
- Aumenta a velocidade de leitura e escrita;
Desvantagens
- É uma técnica obsoleta face aos discos atuais;
- Não tem espelhamento nem paridade.
RAID 3
A partir do RAID 3, todos os níveis usam paridade. No RAID 3, os dados são divididos em pequenos blocos e a informação de paridade é gravada num disco dedicado, que permite detetar e corrigir erros e reconstruir os dados de um disco que falhe.
Vantagens
- Aumenta a velocidade de leitura e escrita;
- Protege contra a falha de um disco.
Desvantagens
- É difícil de implementar por software.
RAID 4
O RAID 4 é mais um nível com paridade. É semelhante ao RAID 3, mas os dados são repartidos em blocos maiores pelos discos e podem ser reconstruídos a partir da paridade guardada num disco adicional.
Pode ter, por exemplo, três discos que guardam os dados e um quarto disco que guarda a paridade. Ou seja, basta um disco adicional para proteger os dados, enquanto no RAID 1 cada disco precisa do seu espelho.
Vantagens
- Protege os dados através da paridade;
- Reduz o custo da proteção dos dados.
Desvantagens
- Se um disco falhar, a reconstrução é mais trabalhosa do que no RAID 1, onde os dados já estão copiados no espelho;
- Usa uma técnica antiga, entretanto ultrapassada.
RAID 5
O RAID 5 é uma evolução dos níveis anteriores. Também se chama striping com paridade.
Aqui, a paridade não fica num disco dedicado, como no RAID 4: é distribuída de forma alternada por todos os discos. Se um disco falhar, é possível iniciar um processo chamado «rebuild» para reconstruir os dados num disco novo.
Porém, a reconstrução tende a ser demorada e, se outro disco falhar durante esse processo, os dados podem perder-se.
Vantagens
- Oferece uma proteção de dados mais robusta;
- É rápido a ler dados e a detetar erros nos discos;
- Mantém a unidade disponível mesmo com um disco avariado ou em reconstrução.
Desvantagens
- É um pouco mais lento a escrever, por causa dos cálculos de paridade;
- A técnica é complexa e torna a reconstrução dos dados mais demorada.
Fonte: Dicas de Infra
RAID 6
O RAID 6, também chamado striping com dupla paridade, funciona como o RAID 5, mas protege os dados mesmo que falhem dois discos ao mesmo tempo.
Isto acontece porque o RAID 6 grava dois blocos de paridade independentes, distribuídos por discos diferentes. Assim, o conjunto aguenta a falha de até dois discos e os dados continuam acessíveis enquanto os discos são substituídos e reconstruídos.
Vantagens
- É rápido a ler dados e a detetar erros nos discos;
- Mantém os dados disponíveis mesmo com a falha de dois discos.
Desvantagens
- Escreve mais devagar do que o RAID 5, por causa do cálculo adicional de paridade;
- A tecnologia é complexa e a reconstrução é mais lenta.
Fonte: Dicas de Infra
RAID 10
O RAID 10 é uma combinação de RAID 1 e RAID 0, com as vantagens e desvantagens de ambos. Os dados são espelhados (característica do RAID 1), o que dá mais segurança, e também distribuídos (característica do RAID 0), o que acelera a leitura e a escrita.
Assim, quando um disco falha, a reconstrução é muito mais rápida, porque basta copiar os dados do espelho. Em contrapartida, o armazenamento fica mais caro, porque metade da capacidade é usada no espelhamento.
Vantagens
- Protege os dados através do espelhamento;
- Aumenta a velocidade de transferência e de reconstrução dos dados.
Desvantagens
- É uma forma cara de obter redundância;
- Tem um custo de expansão elevado (exige no mínimo 4 discos).
Como se implementa o RAID?
Agora que já percebe melhor o que é o RAID e que tipos e níveis existem, vamos ver na prática como se monta um conjunto de discos.
O RAID pode ser implementado por software ou por hardware. Para decidir qual a melhor opção, avalie a infraestrutura da empresa, o objetivo do RAID (segurança ou desempenho) e o orçamento disponível, já que cada solução tem um custo.
Seja qual for a opção, é importante recorrer a profissionais ou empresas qualificadas. Um erro na implementação pode afetar o funcionamento dos discos e até apagar dados – criar um RAID formata os discos envolvidos. Por isso, tenha cuidado.
Veja a seguir como funcionam os dois procedimentos:
Por software
Na implementação por software, é o sistema operativo que gere o RAID, através do gestor de discos. É uma solução mais flexível e barata, mas pode afetar o desempenho da máquina, porque ocupa o processador com os cálculos de onde e como os dados devem ser gravados.
Para isso, precisa de dois ou mais discos, de preferência com a mesma velocidade e capacidade, e sem dados (o processo apaga-os). Depois de instalar os discos no computador, configure o RAID no Windows.
Abra a Gestão de Discos do Windows (clique com o botão direito do rato no menu Iniciar). Clique com o botão direito do rato no espaço «Não alocado» de um dos discos e escolha «Novo volume repartido» (RAID 0) ou «Novo volume espelhado» (RAID 1).
Em seguida, selecione os outros discos que vão fazer parte do RAID e defina o tamanho do volume. Atribua uma letra à unidade e conclua com uma formatação rápida, que apaga o que houver nesses discos. Feito isto, o RAID fica a funcionar.
Por hardware
A implementação por hardware tende a ser mais eficiente, mas também mais complexa. Precisa de pelo menos dois discos e de uma controladora RAID, o que já permite montar um RAID 0 ou um RAID 1.
Primeiro, instale o hardware: ligue os discos às portas geridas pela controladora RAID. Depois, entre na configuração da placa-mãe (BIOS/UEFI) e mude o modo SATA dessas portas (AHCI ou IDE) para «RAID». Atenção: mudar este modo num computador com o Windows já instalado pode impedir o arranque.
Durante o arranque (POST), entre no utilitário de configuração RAID da controladora, usando a tecla indicada no ecrã. Aí pode criar o volume RAID, escolher o nível (RAID 0 ou RAID 1) e definir o tamanho do bloco (stripe). Criar o volume apaga os dados dos discos.
Por fim, prepare o sistema operativo para usar o RAID. É provável que o instalador não reconheça o volume RAID e peça o controlador (driver) da controladora; nesse caso, forneça-o numa pen USB ou num cartão de memória. Depois da instalação, o sistema operativo deve ver os discos como uma única unidade.
Agora já sabe o que é o RAID, para que serve e como se utiliza. Estas soluções são usadas sobretudo em empresas e organizações que trabalham com grandes volumes de dados e precisam de proteger os dados e o desempenho das suas máquinas.
Mas o RAID pode ser implementado por qualquer utilizador, desde que tenha conhecimentos técnicos para isso – ou, claro, ajuda profissional.
Recuperação de dados em RAID
A Bot conta com unidades de Norte a Sul de Portugal. Além de oferecer serviços para recuperar dados de RAID, também trabalhamos com recuperação de dados de disco, SSD, cartão de memória, pen USB e dispositivos afetados por ransomware.
Além disso, a Bot faz o diagnóstico e a recolha gratuitos de dispositivos em Portugal continental. Se precisa de recuperar dados de qualquer configuração RAID, conte com os profissionais da Bot, com mais de 200 mil casos.
Tem dúvidas sobre o seu caso? Fale com um especialista da Bot pelo WhatsApp.




